Eles lá, nós aqui.

Eleições americanas encerradas. O candidato democrata (inclua pop no currículo) venceu. Obama representa um episodio importante na historia americana, pois além de ser negro, ainda é filho de muçulmano. Essa vitoria contra o preconceito é reflexo da má gestão do atual presidente republicano, George Bush. Uma nação que sofreu com o pesadelo da guerra, do terrorismo, crise imobiliária (que causou a financeira), precisava de mudanças e só poderia ser feito dessa maneira: elegendo o novo.

“O novo sempre assusta”. Esse aforismo que me foi apresentado por uma professora de português, justifica a dificuldade que o povo norte-americano passou. Se Obama resolverá os problemas, isso é outra história.

Enquanto aqui no Brasil? Oras, será que não precisamos de renovação? Eu lhes digo, já tentamos isso. Elegemos, por duas vezes consecutivas, um presidente que era o símbolo da luta operaria que era do povo. Será que muita coisa mudou? Creio que não.

Esse é o problema do Brasil. Lula era o símbolo da renovação, e nos deixou pra trás. E pelas especulações dos estudiosos políticos, o próximo presidente não deverá ser de esquerda. Ora, se a direita não era no nosso lado, elegemos a esquerda, que acreditávamos ser, mas mostrou que era mais do mesmo.

Enquanto nossos vizinhos do norte procuram a sua renovação, a nossa já passou. Infelizmente o povo se encontra perdido, sem saber quem eleger. Estamos num circulo vicioso, e a nossa única solução é a renovação da renovação.
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Mês de Outubro Quente

Faz tempo que não posto nada nesse blog. Devido aos últimos acontecimentos, minha chama reacendeu e agora estou de volta. Primeiro as eleições para prefeito do Rio de Janeiro tem conquistado minha atenção. O primeiro turno se foi, e com a ajuda da rede Globo (o que me preocupa), Gabeira foi ao segundo turno, tirando a vaga que seria teoricamente do candidato da rede Record, vulgo Marcelo Crivella. Ignorando todas as questões religiosas, entre Crivella e Gabeira, é indiscutível que o candidato verde tem muito mais moral e poder político do que o Crivella. Agora o segundo turno chegou, e dois candidatos bastante interessantes irão disputar o cargo: Fernando Gabeira e Eduardo Paes.

Primeiro falarei sobre Eduardo Paes. É um candidato jovem, cuidava de Jacarepaguá no inicio da carreira, depois trabalhou no governo Cesar Maia como secretario de meio ambiente. No inicio dessas eleições recebeu o apoio do governador Sergio Cabral, que mudou de idéia durante as eleições, apoiando o candidato do PT Molon, porém mudando de idéia e voltando a apoiar Paes. O candidato do PMDB já passou por inúmeros partidos, entre eles o partido de seu adversário, o PV. Além disso, Eduardo tem o apoio do presidente Lula, graças a boa relação com Sergio Cabral. O único detalhe é que Eduardo acusou Lula de chefe de quadrilha, mentiroso e ladrão, durante uma CPI (não recordo qual é a CPI no momento). Nas suas propostas, Eduardo deixa claro sua preferência pela saúde, defendendo a construção de 40 UPAs. Além disso, defende também a implantação do bilhete único e é contra a aprovação automática e a construção do aterro sanitário de Paciência.

Fernando Gabeira é um candidato experiente, já concorreu à presidência e fez parte da luta armada durante a ditadura. Nesse período, fez parte do MR8 – Movimento Revolucionário 8 de Outubro - , onde seqüestrou um embaixador dos EUA aqui no Brasil, para utilizar como troca por presos políticos. Ainda na ditadura, foi exilado, voltando ao Brasil somente depois da anistia. No Brasil, foi um dos fundadores do PV, junto com Carlos Minc, atual ministro do meio ambiente, e outros políticos. Durante sua carreira política, concorreu tanto pelo PT como pelo PV. O partido de Gabeira é essencialmente de esquerda, como o PV da Alemanha, porém isso não acontece aqui. Nessas eleições, o PV fez aliança com os Tucanos, que basicamente tem um histórico de governar para a elite. As propostas de Gabeira não são tão claras, e não tem um carro chefe como Eduardo Paes e seus UPAs, mas também é contra a construção do aterro sanitário de Paciência, aprovação automática, a favor da implantação do bilhete único.

Com tanta proposta em comum, o que diferencia os dois candidatos, além de suas carreiras políticas? Eduardo Paes goza do apoio do governo do estado e do governo federal, e faz questão de deixar claro que esse apoio é fundamental para o Rio de Janeiro. Gabeira tem uma extrema vantagem cultural, intelectual, e defende a iniciativa privada (sinais tucanos em Gabeira). Durante os debates, Eduardo Paes ataca Gabeira por receber o apoio de Cesar Maia, porém Gabeira relembra o adversário que foi o próprio Cesar Maia que o iniciou na carreira política. Eduardo Paes declara que conhece o Rio de Janeiro, porém foi criado no Jardim Botânico, na zona sul do Rio, enquanto Gabeira já foi professor em Campo Grande. Paes adotou nesse segundo turno, uma campanha suja, que teima em procurar destruir a imagem de Gabeira. O candidato verde defende sua política limpa, onde não se encontram panfletos ou cartazes do candidato. Em relação à cidade da música, os dois defendem a bandeira de serem contra a construção, porém Eduardo apoiava o projeto no inicio. Na educação, além do banimento da aprovação automática que já foi citada, Gabeira diz que vai aumentar os tempos de aula e investir nos professores e estabelecer um estatuto para os alunos, enquanto Paes não tem uma posição muito clara em relação a isso.

Enfim, todos os dois candidatos têm muitos pontos negativos. É muita pretensão achar que um candidato possa resolver todos os problemas, mas que consiga plantar uma semente, um costume na população, como manter as ruas limpas, investir na educação, é mais do que suficiente. Enfim, vote consciente!

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Internacionalização do Mundo

Encontrei por esses dias, na internet, uma entrevista com o Senador Cristovam Buarque. Questionado por um aluno norte-americano (detalhe) sobre a internacionalização da Amazônia, Cristovam respondeu com muita educação e inteligência. Aliás, esta entrevista é antiga, realizada antes de sua candidatura a presidência. Aqui está a responda do Senador:

De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

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E de pensar que ele não ganhou as eleições e nem conseguiu plantar a semente da educação, é uma tristeza...

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